Confira as datas mais importantes do calendário eleitoral de 2026
TSE divulgou prazos para candidatos e eleitores.
O principal objetivo da candidatura de Fernando Haddad ao governo do Estado de São Paulo é oferecer um palanque sólido à tentativa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Submisso à hierarquia do Partido dos Trabalhadores, o ex-ministro da Fazenda topou sua terceira eleição com ares de sacrifício e derrota. Mas a pesquisa Atlas mostra que Haddad “entrega” sem sobras o que se pretende dele. Seus 42,6% frente aos 49,1% do governador Tarcísio de Freitas são semelhantes aos resultados do primeiro turno de 2022, quando o petista obteve 44,4% dos votos válidos.
O petismo, portanto, tem uma base que pode ser considerada forte em São Paulo, porém não o suficiente para vencer uma eleição no Estado, algo que nunca conseguiu em sua história. Porém, o necessário, na margem de erro, no auxílio para vencer o pleito nacional com Lula. Terá também de usar sua máquina para eleger uma bancada de deputados forte. Hoje conta com apenas 11 dos 70 parlamentares do Estado.
Algum risco que se corre, para Lula e Haddad, é a saída de Kim Kataguiri (Missão) da disputa. Com razoáveis 5%, ainda há dúvida se Kim irá concorrer ao governo ou a uma vaga na Câmara dos Deputados, para ajudar seu novo partido a fazer bancada na Casa. Como, pelas ideias e posturas, o Missão se localiza à direita do Republicanos, há poucas dúvidas de que os votos remanescentes iriam para Tarcísio, liquidando a eleição em primeiro turno e deixando Lula sem apoio num eventual segundo. Nesse caso, um Tarcísio vencedor poderá desfilar com o candidato do bolsonarismo, Flávio.

Lula no anúncio da pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo do Estado de São Paulo nas eleições de 2026 Foto: Daniel Teixeira/Estadão
Se não houver nenhum solavanco ainda fora do radar, Tarcísio de Freitas será reeleito governador de São Paulo. Um consolo e tanto para quem sonhava em ser presidente da República e foi atropelado pela família Bolsonaro. Mas seus estrategistas precisam pensar por qual razão o governador, mesmo popular, não consegue expandir seus votos desde que foi eleito. No segundo turno, segundo a Atlas, está com 53,5% contra 43,2% de Haddad, resultado semelhante, na margem de erro, ao obtido no segundo turno das eleições de 2022. A hipótese de que estamos numa sociedade em que os votos estão calcificados em posições ideológicas pode ser uma explicação plausível.
Uma nota melancólica é o desempenho do PSDB, que venceu todas as eleições no Estado entre 1994 e 2018. No melhor cenário, o ex-prefeito de Santo André, Paulo Serra, mal passa dos 2 pontos porcentuais. Pouca gente duvida que São Paulo avançou bastante nestas quase três décadas de domínio de gente como Mário Covas, Geraldo Alckmin (que abandonou o barco) ou José Serra. O súbito abandono do eleitorado paulista aos tucanos, entre tantos motivos, mostra que a identidade dos brasileiros a partidos depende de líderes fortes, algo que o PSDB, talvez pela virtude de não ser um partido populista, nunca conseguiu, nem mesmo com Fernando Henrique Cardoso.