Saturday, March 14, 2026
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Satélite mostra como uma nova ilha se forma no litoral de SP; veja imagens inéditas

by admin7
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Satélite registra surgimento de uma nova ilha no litoral de SP

Faixa de terra no Estreito do Melão, em Cananéia, no litoral sul de São Paulo, está se separando por conta da erosão.

Sob um acelerado processo de erosão, o litoral sul paulista pode acabar ganhando uma nova ilha, no Estreito do Melão, em Cananeia. Entre 2032 e 2034, estima-se que uma faixa de terra deve se romper completamente, isolando a porção sul da Ilha do Cardoso. O fenômeno foi registrado por imagens de satélite (veja abaixo).

As imagens foram captadas por satélites da chamada Constelação Dove, da empresa Planet, que reúne cerca de 100 satélites. Elas são fornecidas pela plataforma SCCON, que faz o monitoramento com a detecção de mudanças e emissão de alertas. A iniciativa integra o Programa Brasil MAIS (Meio Ambiente Integrado e Seguro), maior projeto de sensoriamento remoto do País, resultado de um contrato firmado entre a Polícia Federal, via Ministério da Justiça, com financiamento do Fundo Nacional de Segurança Pública.

No último dia 9, a Justiça concedeu nova liminar com o objetivo de conter a erosão na Ilha do Cardoso. A decisão atende a pedido da Promotoria Regional do Meio Ambiente do Vale do Ribeira com o objetivo de fazer com que o Estado de São Paulo e a Fundação Florestal adotem medidas para conter o problema e proteger as famílias que moram no local.

De acordo com a decisão, “o Poder Público deve evitar intervenções de engenharia incompatíveis com a dinâmica natural do ambiente costeiro e avaliar as estruturas de contenção existentes (mourões, galharia, pneus), além de elaborar, em até dez dias, um plano emergencial voltado à proteção das comunidades potencialmente afetadas.

A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), em atendimento à liminar, informou que monitora de perto a erosão no local, com uso de sensoriamento remoto, drones e vistorias técnicas periódicas.

Segundo a Semil, atualmente, o trecho mais sensível é o Estreito do Melão: “Especialistas estaduais em hidrodinâmica realizaram inspeções técnicas conjuntas com a comunidade local, a Fundação Florestal e o Ministério Público, que resultaram na elaboração de um projeto técnico preliminar para intervenções na área, em fase final de análise para contratação”.

Erosão já abriu canal com cerca de 170 metros de largura

No Canal do Ararapira, entre São Paulo e Paraná, a faixa de terra, que chegou a ter cerca de 100 metros de largura, encolheu para aproximadamente 20 metros em seu trecho mais estreito. Uma parte já se rompeu em 2018, após uma forte ressaca na Enseada da Baleia, intensificando a erosão.

A erosão abriu um canal com cerca de 170 metros de largura e três metros de profundidade, dificultando o acesso terrestre de moradores da região. A área ao sul do estreito pode ficar completamente cercada por água caso o rompimento se consolide.

O Canal do Ararapira fica em uma das áreas mais sensíveis do País do ponto de vista ambiental, onde águas doces e salgadas se misturam. A mudança na circulação pode alterar a navegação, redistribuir sedimentos e afetar manguezais que dependem do equilíbrio entre águas doces e salgadas. Além de servir para o transporte de moradores e turistas entre a cidade e a ilha, o canal é usado por caiçaras e pescadores.

Se a nova ilha se formar no Estreito do Melão, haverá um impacto direto para pelo menos seis territórios tradicionais caiçaras, incluindo comunidades como Vila Mendonça e Nova Enseada da Baleia, que vivem basicamente da pesca. Em 2018, parte das famílias já precisou ser realocada.

Estudos já realizados na região apontam que esse processo erosivo foi causado pela ação do homem, com a abertura do Canal do Varadouro nos anos 1950. O processo se intensificou ao longo do tempo e, nos últimos anos, foi acelerado devido à crise climática, com mais ressacas.

Ainda segundo a Semil, a Vila Mendonça, uma pequena comunidade formada por quatro famílias (sete pessoas), “está localizada a cerca de um quilômetro do ponto de maior sensibilidade e segue sendo acompanhada pelas equipes técnicas”.

Na comunidade do Pereirinha, segue a Semil, edificações mais suscetíveis localizadas na faixa de praia já receberam autorização para realocação e vêm adotando medidas mitigatórias com apoio da Fundação Florestal.

Paralelamente, a Fundação Florestal conduz com as comunidades tradicionais a elaboração de um plano participativo de adaptação e resiliência climática, que prevê a identificação de áreas mais seguras dentro do território para eventual realocação futura das moradias.



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