Os Estados Unidos e o Irã trocaram propostas para a suspensão das atividades nucleares iranianas durante as negociações realizadas no fim de semana no Paquistão, mas continuam distantes quanto à duração de um eventual acordo, segundo autoridades iranianas e americanas.
O Irã afirmou nesta segunda-feira, 13 que poderia suspender o enriquecimento de urânio por até cinco anos — uma oferta que o governo Trump rejeitou, insistindo em 20 anos, segundo dois altos funcionários iranianos e um funcionário norte-americano.
Ainda assim, as discussões sugeriram que pode haver um caminho para um acordo de paz, mesmo com as Forças Armadas dos EUA tendo iniciado o bloqueio dos portos iranianos nesta segunda, ameaçando um cessar-fogo que já dura quase uma semana.
Autoridades afirmaram estar discutindo uma segunda rodada de negociações presenciais, mas não forneceram detalhes.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o bloqueio após o fracasso das negociações de alto nível com o Irã no fim de semana e disse que outros países se juntariam à iniciativa. Mas, nesta segunda, vários líderes europeus rejeitaram a ideia, e pelo menos um navio, um petroleiro ligado ao Irã, pareceu desafiar o bloqueio.

Primeira rodada de negociações no Paquistão terminou sem um acordo Foto: Farooq Naeem/AFP
Negociações
Pouco antes de o vice-presidente americano, JD Vance, deixar a capital paquistanesa Islamabad na madrugada deste domingo, ele descreveu o Irã e os Estados Unidos como dois mundos à parte, principalmente no que diz respeito à garantia de que o Irã nunca poderá construir uma arma nuclear — “nem agora, nem daqui a dois anos, mas a longo prazo”.
A ideia de “longo prazo” do governo Trump é de 20 anos.
À medida que detalhes da visita de 21 horas de Vance ao Paquistão vieram à tona nesta segunda, pessoas familiarizadas com as negociações afirmaram que a posição dos EUA não era uma proibição permanente do enriquecimento nuclear pelo Irã. Em vez disso, os Estados Unidos propuseram uma “suspensão” de 20 anos de todas as atividades nucleares. Isso permitiria aos iranianos alegar que não haviam renunciado permanentemente ao seu direito, nos termos do Tratado de Não Proliferação Nuclear, de produzir seu próprio combustível nuclear.
Em resposta, o Irã renovou uma proposta de suspender as atividades nucleares por até cinco anos, segundo dois altos funcionários iranianos e um funcionário dos EUA. Os iranianos haviam feito uma proposta muito semelhante em fevereiro, durante uma série de negociações fracassadas em Genebra que convenceram o presidente Trump de que era hora de entrar em guerra. Dias depois, ele ordenou o ataque ao Irã.
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Há várias outras questões pairando sobre as negociações, incluindo a restauração da livre passagem no Estreito de Ormuz e o fim do apoio do Irã a grupos aliados como o Hamas e o Hezbollah. Mas a recusa do Irã em abandonar suas ambições nucleares, desmantelar sua enorme infraestrutura atômica e enviar seus estoques de combustível para fora do país sempre foi o ponto central da disputa.
Portanto, a revelação de que os dois lados estão agora discutindo sobre o prazo para a suspensão das atividades nucleares sugere que pode muito bem haver espaço para um acordo, e houve indícios nesta segunda de que os negociadores podem se reunir novamente nos próximos dias. Autoridades da Casa Branca afirmaram que nenhuma reunião havia sido confirmada, mas que uma nova rodada de negociações presenciais estava sendo discutida.
Acordo de Obama
Para Trump e seus assessores, há também o risco de que qualquer acordo que surja possa se assemelhar ao acordo nuclear de 2015, do qual o presidente saiu três anos depois e chamou de “um acordo horrível e unilateral que nunca, jamais deveria ter sido feito”.
No cerne da reclamação de Trump sobre o acordo de Obama, formalmente chamado de Plano de Ação Conjunto Global, estava o fato de que ele continha “cláusulas de caducidade”. E de fato continha: os iranianos teriam permissão para aumentar gradualmente suas atividades de enriquecimento até 2030, quando todas as restrições seriam suspensas. (Os compromissos do Irã no âmbito do tratado de não proliferação ainda o proibiriam de construir uma bomba.)
Mas o acordo de Obama não previa uma suspensão total das atividades nucleares, o que garantiria pelo menos alguns anos sem atividades nucleares — além do mandato de Trump.
Outros pontos
Outro ponto de discórdia gira em torno da exigência dos EUA de que o Irã remova 970 libras de urânio quase apto para bombas do país, para garantir que ele nunca possa ser desviado para um projeto de bomba. Trump ponderou enviar tropas terrestres a Isfahan para apreender a maior parte do urânio altamente enriquecido, que está armazenado nas profundezas do subsolo em algo que se assemelha a grandes tanques de mergulho.
Os iranianos insistiram que o combustível deve permanecer dentro do Irã. Mas eles se ofereceram, como fizeram em Genebra, para diluí-lo significativamente, de modo que não pudesse ser usado para produzir uma arma nuclear.
Isso, também, prolongaria o prazo para a fabricação de uma bomba. O risco, é claro, é que os iranianos ainda teriam posse do combustível e, no futuro, poderiam reenriquecê-lo até seu estado atual de cerca de 60% de pureza, um pouco abaixo dos 90% necessários para fabricar uma arma.
À medida que as negociações avançam para a próxima fase, um ponto a ser observado é se o Irã recuperará o dinheiro que acredita ter a receber.
Trump vem reclamando há anos, e reiterou nas últimas semanas, que o governo Obama liberou “cargas aéreas” de dinheiro para o Irã — uma referência à devolução de US$ 1,4 bilhão em ativos iranianos há muito congelados pelos Estados Unidos, além de US$ 300 milhões em juros acumulados. (Parte desse dinheiro realmente foi transportada em paletes a bordo de um avião, pois os bancos ocidentais estavam proibidos de fazer negócios com entidades iranianas.)
Ainda é cedo para saber como isso vai acabar, mas parte das negociações em andamento envolve a exigência do Irã de que o Ocidente descongele cerca de US$ 6 bilhões em fundos provenientes da venda de petróleo, que estão retidos no Catar devido a sanções que datam do primeiro mandato de Trump.
c.2026 The New York Times Company
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