Diretor do BC à PF diz que BRB deveria ter identificado fraudes nas carteiras do Master
Em audiência no STF em 30 de dezembro, Ailton de Aquino diz que governança do banco tinha como ter detectado problemas. Crédito: Imagens: STF
O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson de Souza, apresentou nesta segunda-feira, 2, à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) documentos que contradizem o governador Ibaneis Rocha (MDB). Souza afirmou que um dos imóveis ofertados para salvar o BRB, o Centro Administrativo, vale R$ 491 milhões, R$ 109 milhões a menos do que anunciado pelo governador em dezembro. O laudo técnico do governo foi revelado pela Coluna do Estadão.
O relatório da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap) foi concluído em outubro passado, após cinco dias de inspeções feitas por engenheiros da estatal. A avaliação é válida até abril deste ano. Nesse intervalo, contudo, o governador atribuiu à Terracap uma avaliação de R$ 600 milhões do imóvel, localizado em Taguatinga, a 30 quilômetros do centro de Brasília. Procurado, o governo distrital não respondeu.
O Centro Administrativo do Distrito Federal tem uma área de 182 mil metros quadrados com 16 prédios. Idealizado para abrigar a sede do governo local, o complexo nunca foi ocupado e segue envolvido em imbróglios jurídicos há mais de uma década. Este foi um dos nove imóveis oferecidos pela gestão Ibaneis como garantia para tomar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões e tentar salvar o BRB do rombo do caso Master.

Governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, em evento do Banco de Brasília (BRB) Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Laudo aponta obras inacabadas, fissuras e infiltrações
O documento aponta diversas falhas nas construções, além de trechos inacabados de obras. A título de exemplo, o laudo cita “fissuras” 11 vezes e “infiltrações” nove vezes.
No principal prédio do complexo, construído para abrigar o gabinete do governador, falta revestimento até para o piso e há diversas infiltrações, segundo a estatal. “Várias paredes apresentam fissuras e trincas, inclusive no pilar que sustenta a escada no meio do vão”.
Já o Centro de Convenções, projetado para abrigar 2,5 mil pessoas, apresenta “diversas fissuras, infiltrações e trincas relevantes”. O complexo imobiliário ainda conta com uma capela, uma praça cívica, um prédio só para garagem e quatro edifícios de 16 andares cada.
Consultoria Legislativa alertou que plano do governo para salvar BRB pode afetar estatais de água e iluminação pública
Nesta segunda-feira, 2, a área técnica da CLDF alertou que o plano da gestão Ibaneis para salvar o BRB do rombo do caso Master pode afetar outras duas estatais, que prestam serviços de saneamento e iluminação pública: a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) e a Companhia Energética de Brasília Iluminação Pública e Serviços (CEB Ipes).
O parecer foi apresentado pela deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) ao presidente do BRB, Nelson de Souza, que se reuniu mais cedo com os parlamentares.
BRB enfrenta rombo após caso Master
O banco estatal tenta se recuperar de um rombo bilionário após ter comprado R$ 12,2 bilhões de créditos podres do Master, segundo a Polícia Federal e o Banco Central (BC). Em outra frente, o BRB pediu um aporte de até R$ 8,86 bilhões para reforçar seu capital após as perdas com o Master.
Plano de Ibaneis para usar imóveis em prol do BRB começou um mês antes da queda do Master
Um mês antes de o Master ser liquidado, a gestão Ibaneis iniciou um plano para usar imóveis públicos e aumentar o capital do BRB, segundo um parecer da Procuradoria-Geral do Distrito Federal em outubro passado.
Na ocasião, o BC havia reprovado a compra do Master pelo banco estatal. O BRB, contudo, já tinha um rombo nas contas depois de ter comprado R$ 12,2 bilhões de créditos podres do Master.
Além da oferta de imóveis como garantia para obter um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões para salvar o BRB, o banco pediu um aporte de até R$ 8,86 bilhões para reforçar seu capital após as perdas com o Master.
Até o próximo dia 31, o BRB precisa divulgar o seu balanço e apresentar ao BC a solução para reequilibrar o seu patrimônio. Caso contrário, pode receber uma espécie de “cartão amarelo” da autoridade monetária, com a aplicação de restrições ao banco, a exemplo do impedimento de abrir agências e expandir negócios.