Como Epstein e seus aliciadores buscaram garotas no Brasil por mais de uma década?
Estadão analisou mais de 30 mil arquivos do caso que revelam os tentáculos do milionário no País. Crédito: João Abel (edição de vídeo)
O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, concordou em prestar depoimento para a comissão do Congresso americano que investiga as relações entre figuras públicas relevantes e o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein. O anúncio foi feito via comunicado pelo presidente da comissão, o deputado republicano James Comer, nesta terça-feira, 03.
Segundo o deputado, Lutnick “concordou em comparecer voluntariamente”, mas sem especificar uma data.
Após a divulgação da nova leva de documentos de Epstein feita pelo Departamento de Justiça dos EUA no final de janeiro, alguns membros do Congresso pediram a renúncia do secretário.

O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick. Foto: Brendan Smialowski/AFP
As alegações de Lutnick, que é um ex-financista de Nova York, sobre quando cortou laços com o criminoso sexual voltaram à atenção do público: o secretário compareceu a um almoço na ilha particular de Epstein no Caribe em 2012, data posterior ao período que ele ter tido nenhum relacionamento com Epstein.
“Almocei com ele na ilha durante umas férias em família num barco. Minha esposa estava comigo, junto com meus quatro filhos e suas babás”, declarou em meados de fevereiro. Ainda segundo ele, foi uma “visita de última hora.”
“Durante um período de 14 anos, não tive nenhum relacionamento com ele. Quase não tive contato com essa pessoa”, disse Lutnick, referindo-se a um período que começou em 2005.
Também na terça-feira, o juiz Comer enviou intimações ao fundador da Microsoft, Bill Gates, e a outras seis pessoas para deporem sobre suas respectivas relações com Epstein.
No início de fevereiro, Gates admitiu ter cometido um “grande erro” ao se associar a Epstein, mas diz não ter visto “nada de ilegal” enquanto esteve com ele.
Na semana passada, o ex-presidente Bill Clinton e sua esposa, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, também testemunharam perante a comissão que investiga o caso. /AFP